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:: sábado, 6 de março de 2010
Walter e o despreparo dos jogadores no Brasil Antes de voltar a falar de Londres, um assunto esteve bastante presente nos noticiários aqui do Rio Grande do Sul.
O atacante Walter, do Inter, simplesmente não apareceu nos treinos e nem tampouco deu explicações ou atendeu aos chamados do clube, mesmo morando a poucas quadras do Beira-Rio.
Walter tem 20 anos e ganha algo entre 15 e 20 mil reais por mês. É semi-analfabeto e se recusou a ir ao colégio que o clube pagou, assim como negou também a ajuda de uma professora particular.
Veio do Recife, onde mora sua mãe e o resto de sua família. Pois bem, procurada pelos jornais, a mãe do atleta disse que não tem recebido dinheiro do filho e que não tem condições nem de pagar as contas básicas (água, luz, gás...).
Vejamos: quem, com 20 anos e sem estudo, ganha isso por mês? Ninguém. Profissionais formados, com pós-graduação, encaram o mercado de trabalho ganhando às vezes em um ano, o que o Walter ganha em um mês. Para jogar bola. Só o que ele tem a fazer é treinar e eventualmente, jogar alguns minutos (ele antes desse rolo era reserva no time do técnico Fossati).
E ainda, mesmo ganhando esse valor absurdo (maior que 99% da população brasileira), Walter não vem mandando dinheiro para sua família no Nordeste, a ponto deles estarem passando necessidades por lá?
O que passa na cabeça dum cidadão destes? Não ter estudo é uma coisa. Ser burro, é outra. Eu, com meus 30 anos recém completados, graduação em Ciência da Computação e MBA em Gestão, pelo valor que o Walter recebe treinaria todo dia, depois do treino trabalharia no administrativo do clube e se precisasse alguma ajuda para a obra de remodelação do estádio para a Copa de 2014 ainda seria voluntário.
Outro que não dá bom exemplo é o atacante Adriano "Imperador", atualmente no Flamengo. Depois de ano passado ele sumir da Itália, onde ganhava MAIS DE UM MILHÃO DE REAIS POR MÊS, foi "visitar os amigos" e ficou quase um mês num morro carioca.
Passado isso, voltou a jogar bem, marcar gols, ser chamado pelo Dunga para a Seleção, estaria totalmente recuperado, e coisa e tal.
Pois bem, essa semana sumiu do Flamengo, e segundo a própria noiva, ele teria ido a um baile funk com outros jogadores, onde a noiva teria feito um escândalo.
Adriano já não é mais tão guri como Walter. Mas provavelmente, da mesma forma que o jovem atacante colorado, não tem estudo também.
Algum tempo atrás o atacante francês Thierry Henry deu uma declaração polêmica sobre o futebol brasileiro, dizendo que aqui, ao contrário dos outros países, o futebol é mais evoluído porque as crianças deixam de estudar para jogar bola.
A declaração pareceu preconceituosa para alguns, mas não tiro a razão do francês. Nas ricas ligas americanas de futebol (americano) e basquete, os jogadores chegam aos clubes depois da faculdade.
Pouca gente sabe, mas Michael Jordan, o Pelé do basquete, é advogado. Enquanto isso, tirando casos de exceção como Sócrates e Tostão (que se formaram em medicina) ou mesmo do ex-goleiro do Inter João Gabriel (hoje advogado), os jogadores brasileiros em sua maioria não se preocupam com o estudo, já que o futebol dá uma renda maior que qualquer carreira "convencional" no nosso País.
E não há nada que nos faça acreditar que esse quadro pode ser revertido, mesmo a médio e longo prazo.
Em tempo, muitas meninas também largam os estudos para se dedicar à carreira de modelo, que assim como a de jogador, também é curta e paga muito bem. E outra atividade que paga muito bem no nosso país e não precisa de estudo é a política, vide nosso presidente que também nunca foi muito chegado aos livros e cadernos. 
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