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:: domingo, 10 de janeiro de 2010

Ainda sobre carros no Brasil
Volta e meia alguém "nota" e comenta que os preços dos carros aqui são (muito) maiores que nos EUA, Europa, Japão, e mesmo nos latinoamericanos México e Chile.

Daí a primeira coisa que falam é "aqui tem muito imposto". Já disse isso aqui, mas também já foi comprovado por matérias de várias revistas que não são só os impostos os culpados pela diferença absurda.

A margem de lucro aqui é a maior do mundo. Por isso toda montadora quer vir para cá.

Tanto que a GM estava quebrada na Europa (Opel) e nos EUA, mas no Brasil dando lucros absurdos. Porquê? Óbvio: porque aqui o lucro é muito maior.

Peguei o exemplo da GM porque aqui em casa gostávamos dos carros deles, até o final da década de 1990.

Eu tive um Kadett (94) e um Corsa (98), meu irmão um Corsa (96), meu pai um Corsa (00) depois um Vectra (97). A qualidade dos Corsas era muito superior à vista hoje no Celta (puro plástico), que é baseado no antigo Corsa.

Os motores da GM - e que equipam também os Fiat 1.8 - são os mesmos de 20 anos atrás. Quem tem hoje um Corsa (ou Palio, Punto, Dobló...) com motor 1.8 tem basicamente o mesmo motor de um Monza 1988 (melhorado, mas não muito).

A qualidade caiu visivelmente (o acabamento dos Monzas, Vectras, e mesmo mais antigamente, dos Opalas, é muito superior ao de hoje em dia), investimentos em pesquisa e novos modelos foi baixo (a GM lançou o Agile depois de vários anos sem lançar nada) e os preços subiram. Mais margem de lucro.

O brasileiro engole qualquer coisa. O argentino não é muito diferente, mas já tem opções melhores e mais baratas. Em compensação o chileno tem o que há de mais moderno em veículos (nem falei em eletrônicos - mas um Playstation 2 custa mais de 800 reais no site da Sony!) por preços mais justos.

Também volto a falar sobre um carrinho a qual sou simpático. Um jipinho da Suzuki, o Jimny, custa no Chile o equivalente a 28 mil reais. Nada muito absurdo, apesar de ter motor 1.3, ele tem tração 4x4 e é completinho. Aqui custa pouco mais que o dobro, 56900 reais. Vale isso? Com certeza não são só os impostos.

Enquanto isso, no México, se vende o Honda City fabricado no Brasil por menos da metade do preço praticado aqui. E mais completo. Não. Definitivamente não são só os impostos.


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