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:: terça-feira, 1 de dezembro de 2009
O país do "não dá nada" Desde que me conheço por gente, e em fevereiro completo 30 anos, vejo que o brasileiro sempre tem "jeitinho" para tudo.
E algo que preocupa é o sentimento de impunidade que vemos todos os dias.
Seja no trânsito, com o motorista do ônibus que não para no ponto ou o motoboy que anda por cima da calçada, seja nas escolas, onde alunos depredam, brigam com professores e não respeitam ninguém, a frase mais ouvida é "não dá nada".
A cultura de impunidade chega a ser ridícula de tão absurda. Pessoas estacionam nas vagas para deficientes, fumantes ignoram a proibição, funcionários de empresa de tv por assinatura vendem aparelhos com sinal liberado. Se vê de tudo.
E é comum em qualquer cidade. Desrespeito às regras, sejam elas quais forem. Nas pequenas, a desculpa é que "é interior". Nas grandes, que "todo mundo faz". As pessoas querem sempre ver apenas o seu lado, levar vantagem em tudo, sem se importar com as consequências.
E assim dão golpe em seguradoras, se lixando se isso aumentará o valor do seguro para todos. Da mesma forma "gatos" de água, luz e telefone. No final, todos pagamos a conta.
Recentemente o francês Henry se desculpou e disse ter remorso de ter usado a mão para dominar a bola jogo da França contra a Irlanda que classificou seu time para a Copa do Mundo. Chegou a pedir a realização de nova partida. Fosse no Brasil, isso não aconteceria. Questão de cultura.
E vivendo em uma cultura de impunidade, é hipocrisia achar que políticos não contratariam parentes e nem fariam tantas falcatruas como lemos todos os dias. É o povo que elege seus representantes, e parece meio óbvio que as pessoas votem nos seus semelhantes.
Se a educação é a base de tudo e até em grêmios estudantis há desvios de verbas, algo está muito errado.
A criança e o adolescente que vêem o pai desrespeitando as leis de trânsito e mesmo regras informais de boa convivência social, dificilmente vão ser adultos corretos.
O bom exemplo vem de casa.
O governo também não ajuda. Países sérios incentivam o controle de natalidade, e aqui se faz o contrário, com bolsa-família, demais auxílios de acordo com a quantidade de filhos, ajudando a criar uma geração de acomodados, dependentes do governo.
"Não dá nada", é o que se houve por aí em relação à muita coisa que é ou está errada. Nossos carros e motos são mais caros do que qualquer lugar do mundo, mas "não dá nada", aqui é possível parcelar em 5 ou 6 anos (com juros altos, mas "não dá nada", a prestação cabe no bolso).
Eletrônicos aqui custam até 4 vezes mais caro que nos Estados Unidos. Mas "não dá nada", sempre tem algum conhecido que traz por menos, via Miami ou Paraguai.
Que futuro esperar de uma geração que aprende que não importa o que faça, que "não dá nada"? 
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