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:: domingo, 25 de outubro de 2009

O único destino certo me choca
Sábado de tarde. Olhando despretensiosamente a Zero Hora do dia, vejo de relance a foto de uma amiga. Que eu não via há algum tempo, mas que sempre tive maior respeito e admiração. Li e me choquei. Era a seção de obituário.

Em 2002, quando eu fui classificado para a semifinal do festival de música de Porto Alegre, precisava de uma banda. E o Adriano (Dido), meu amigo de muitos anos, estava montando uma com os seus colegas do Mãe de Deus. Então me juntei à banda. E então aquela turma de formandos do segundo grau da qual fazia parte toda a banda, meio que ficou sendo minha turma também. Muitas festas, churrascos, shows da banda que a gurizada acompanhava em peso.

Era uma turma muito bacana e muito unida, como eu infelizmente não tive no colégio e nem na faculdade uma turma que se formasse junta assim. E nesta turma, estava a maior fã da nossa antiga banda Prana: a Mari.

Ela fazia questão de ir nos nossos shows, sabia nossas músicas de cor, e era a pessoa que respondia nossos tópicos na comunidade da banda no Orkut, mesmo depois do fim da banda (em 2004).

A Mari era um amor de pessoa, daquele tipo que todo mundo gostava. Lembro que algumas vezes dei carona até à casa dela, na Mário Totta, perto do Banrisul. Talvez por ela também ser pisciana, me identificava com o jeito dela.

No meu Fotolog, tem uma foto de um churrasco da gurizada em 2004 onde a Mari está ao lado esquerdo do Dido, e eu ao lado direito.

Há tempos que não a via, nem tinha notícias, sabia que tinha se formado em Publicidade e estava trabalhando em uma agência.

Mas tudo que eu não esperava era descobrir que aos 24 anos, a Mari faleceu. Vítima de um aneurisma. Foi na quinta, e fiquei sabendo na tarde deste sábado, ao ler a ZH. Normalmente, passo reto pela seção do obituário, mas a foto da Mari lá, a mesma que ela usava no Orkut, me chamou a atenção.

Nos meus quase 30 anos, não aprendi direito a lidar com a morte das pessoas. Principalmente quando são jovens. É bem diferente da minha tia-avó, que faleceu este ano com 93 anos. Rola uma sensação ruim, de que somos muito frágeis e também impotentes quanto ao único destino certo de todo o ser humano.   

Não tem jeito. Dói. Saber que uma pessoa querida não está mais nesse mundo é triste. E não há nada que possa ser feito além de lamentar, lembrar sempre dos momentos bons e ter a certeza de que ela está ao lado de Deus, sendo iluminada e ajudando Ele a iluminar à todos nós aqui na terra.

Sim, eu acredito em Deus. E que a Mari, e todo mundo que já se foi, está ao lado d'Ele.


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