Sábado passado, 11 e 25 da manhã. Eu procurando lugar para estacionar o carro na avenida Protásio Alves.
De paletó, sapato e calça social, corri com o notebook embaixo do braço para achar a sala 170 e apresentar o meu trabalho de conclusão da pós para a banca e cerca de 12 alunas de dois cursos de graduação.
Tudo começou lá no início de 2007. Eu queria fazer uma pós-graduação, e estava procurando alguma que me interessasse. Quando soube que a empresa onde trabalho estava fazendo um convênio com uma instituição de ensino para oferecer MBA em Gestão para um grupo de cerca de 30 funcionários, inicialmente a preferência era para os supervisores e analistas de negócios.
Como nem todo supervisor quis, alguns inclusive já tinham cursos nesta área, sobraram algumas vagas e acabei sendo contemplado com uma delas.
O curso era ministrado todas as terças e quintas à noite, das 18 às 22h. Três semestres depois, muitos trabalhos, individuais e em grupo e as aulas haviam acabado. Era final de julho do ano passado.
A tarefa então, seria de elaborar um trabalho de conclusão, baseado no conhecimento adquirido no curso e em alguma aplicação na empresa. O tempo? Inicialmente até 31 dezembro de 2008.
Muitos colegas desistiram de elaborar o trabalho, o que não lhes daria o direito ao diploma de pós-graduação, apenas a de um curso de extensão (afinal, o TCC é um requisito do MEC para a outorga do diploma de especialização/MBA).
Comecei a fazer o trabalho, e em dezembro, como muitos colegas reclamaram do prazo, a coordenação do curso decidiu ampliar o prazo para 31 de março.
Com isso, relaxei no final do ano e em janeiro, para em fevereiro retomar o trabalho. Só que não tive mais contato com a minha orientadora, uma professora da instituição que não chegou a ministrar aulas para o nosso curso. Tanto eu como um colega de empresa que tinha a mesma orientadora.
Em março, chegando o final do prazo, e sem resposta, resolvi usar da minha pequena experiência em trabalhos de conclusão (fiz o da minha graduação e ajudei no do meu irmão, de um amigo meu e ainda de uma conhecida da minha mãe - esse eu cobrei, além de mais dois de curso técnico), imprimi, encadernei e entreguei, um dia antes do prazo final.
Dois dias depois, recebi e-mail da minha orientadora, com críticas ao meu trabalho e ainda que eu teria entregue fora de prazo, pois para ela constava a data de 31 de dezembro.
Expliquei em e-mail copiado para a coordenação do curso que a data havia sido prorrogada, com a coordenação confirmando.
Em princípio, seria isto, o curso teria acabado aí. Como foi para os meus colegas que encararam a missão de fazer o TCC e entregaram no prazo.
Mas comigo nada é fácil, e depois de alguns dias veio a notícia ameaçadora: como o meu trabalho foi entregue sem a concordância da orientadora, eu poderia ter que defendê-lo em banca. Isso se a nota dele escrita fosse superiora a 6.
Passou abril, maio, junho, até que no final de julho recebi um novo e-mail: meu trabalho tinha recebido a nota 7,3. Mas precisaria ser corrigido para nova entrega e também apresentado e avaliado pela banca. E tudo isso antes do final de agosto.
Marcada a banca para o sábado, 22 de agosto, tratei de achar o meu original, começar a atualizar e tentar fazer uma apresentação simples e dinâmica, afinal, seriam somente 15 minutos para explicar um trabalho que demorou meses para ficar pronto.
Tirei a sexta-feira anterior, 21, para ajustar tudo e deixar tudo pronto. Passei o dia nesta função, só saí de casa para colocar película nos vidros do carro.
Então no sábado saí cedo de casa, mas peguei um engarrafamento gigante na terceira perimetral, que acabou com o tempo de sobra que eu tinha. Também conta o fato de fazer o retorno na Protásio Alves ser um tanto quanto xarope. E de não saber onde estacionar próximo àquela instituição.
Mas o fato é que às 11:30, horário combinado, estava eu e meu notebook na tal sala 170, diante das duas professoras da banca e das alunas da graduação. Tentei ser sucinto e prático, um tanto quanto informal, até, para me fazer entender.
As professoras da banca acharam informal demais, mas consideraram que meu trabalho teve aplicação prática e que eu tinha buscado embasamento teórico para falar sobre o assunto.
Com isso, recebi nota 7 para a apresentação, que, com o 7,3 do trabalho escrito gerou uma média de 7,1. Em cima do laço, é verdade. Mas passei.
No futuro, ninguém vai perguntar quanto eu tirei no meu TCC da pós. O que importa é o título, e mais uma etapa vencida. Agora é só aguardar o diploma, e oficialmente, ser pós-graduado.
